Explicando a real...
Sandrão - O RZO vem de uma rapa de tempo, morô mano, onde que o Helião formou o nome do grupo e lançou uns parceiros das antigas. Aí, depois de alguns anos, nós vamos se trombar em cima do morro, morô mano, em Pirituba, aí nós fizemos essa aliança e hoje nós tamos aí junto com a rapaziada fazendo shows por aí.
Helião - A formação do grupo EU e SANDRÃO restante dos componentes são: CIA, NEGRA LEE, MARRON, NEGRO UTIL, DBS, SABOTAGEM, RAFAEL, ROBSOM, BLACK PANTER E DAVI DO GUETO. Essa formação foi composta através dos anos, juridicamente o RZO sou eu e Sandrão.
" Nós crescemos na cidade de São Paulo, pegando trem pra ir pra vários lugares, e passando mó arrepio, vendo gente caído do trem, vendo gente morrendo eletrocutada, vendo a polícia ferroviária agredindo trabalhador, e foi pensando nessas pessoas, que nós, que fizemos essa música."
Qual foi o momento mais difícil na carreira de vocês?
Helião - Teve vários momentos difíceis; nós ficamos neste porão aqui no anonimato mais ou menos uns 8 anos, tá ligado, porque a gente fez um disco com um cara e depois o cara não tava mais acreditando no trabalho, e não ia mais lançar o trabalho, e isso aí destruiu todos os nossos sonhos, os planos que a gente tinha na época, né mano. Mesmo assim a gente foi continuando e a gente conseguiu lançar depois, nós bancando metade do trampo, "Pirituba e O Trem", o singue, 500 vinis, e o som virou, porque na época tinha muita rádio comunitárias, e a gente deixava nas rádios e o som virou o tal. E depois que o som virou, o cara fez essa pirata que tá rolando aí.
Sandrão - Essa daí foi uma música que nós fizemos, do trem, que veio pra mostrar pra pessoas e protestar contra as más condições do transporte.
E a situação do trem, mudou deste tempo prá cá?
Helião - A situação mudou pelo seguinte: os caras colocaram mais policiamento, mas a melhoria no números de trem, nas linhas férreas, tinha que ser maior, entendeu; o número de trens é pequeno. Mas o sistema é sempre assim, os caras reforçam o policiamento, e quem não tiver contente vai ter que ver a parada com os caras.
Sandrão - Nós fizemos uma analise do transporte mundial, e vimos a constatar que as cidades de Nova York, que é mais ou menos do tamanho populacional de São Paulo, tem 1.400km de trem e várias estações, sendo que aqui, nós só temos 140 km de linha.
Incrível, né!
A situação é essa mano!
Vocês fazem algo além do RZO?
Sandrão - Eu sou serralheiro na USP, mano.
Helião - Eu sempre trabalhei, desde criança que eu sempre trabalhei. Aí eu me firmei mesmo na serralharia, tá ligado, mas só que chegou uma hora dentro do RZO que eu tinha tanta coisa pra fazer que eu tive de escolher entre a serralharia ou então o grupo, e fui no grupo e hoje a gente está no grupo. Eu e o Sandrão, a gente não ganhou dinheiro, tá ligado, mas a gente ganhou respeito do movimento e dos grupos também, tá ligado mano. A gente tem uma pá de coisa pra fazer, porque você vai te que pensar na consciência, tá ligado, em chegar e passar uma mensagem de consciência e não fazer muita apologia, tá ligado
Qual a visão de vocês sobre a pirataria?
Helião - A gente acha quem vende CD tinha que ceder um pouco, vendendo mais barato porque um disco ta muito caro, nos mesmo compramos dois discos por ano o resto é tudo emprestado. O CD pirata é uma opção para quem não tem dinheiro.
Vocês acham que o dinheiro pode mudar um grupo?
Davi do gueto - Isso já acontece com muitos grupos de RAP mais acho que você tem que ter personalidade. Se o dinheiro conseguir compra o seu grupo e o seu modo de fazer letras, suas musicas e o seu grupo de RAP não vão ser considerado como RAP, porque o RAP foi criado pelo povo da periferia que é nossa gente.
Quais são as raízes musicais do grupo?
Helião - As nossas raízes são varias. Como disse antes, eu curtia rock e dentro do rock curti até dark, curti punk rock, metal, tudo: Depois eu curti um samba como Bezerra, Martinho da Vila e Zeca e outros mais, entendeu, aí eu conheci um senhor de idade chamado Badu que tocou na noite como baterista, ta ligado, então ele me ensinou muita coisa sobre a musica, porque a musica é muito complicada e você tem que dedicar a sua vida inteira para ela, por que, se não você é feliz dentro da musica. Então aprendi no samba e comecei a curtir funk e ta, e minhas raízes são varias, mais o RAP para mim foi a mais fácil de fazer, porque não tinhas outros parceiros, era só eu e o Sandrão, e para você fazer uma banda você precisa de uma pá de gente, e na periferia nos não temos acesso a estruturas musicais e esses bagulhos ninguém estudou musica; nos temos o dom da musica mais não foram dadas às chances pra o dom florescer. Então o RAP para nos foi uma forma mais fácil da gente entrar da musica, ao mesmo tempo, reivindicar nossos direitos, representar a periferia e falar das nossas atividades e da nossa cultura negra na periferia. Hoje em dia o meu modo de sobrevivência é RAP (um bom rapper tem que ouvir todos os tipos de músicas).
Sandrão - Eu comecei a curtir, primeiro som da banda War, depois comecei a curtir Sugar Hill , e ai foi vindo os primeiro grupos de RAP e ai foi. Como nos E.U.A, o movimento tem que apoiar as condições do próximo nas letras e nas suas atitudes. O RAP foi caminhando com a política, mas isso também vai acontecer aqui, ta ligado. No futuro o RAP vai ter gente pra apoiar e vai resolver mais coisas do que hoje. Vai ser com o tempo.
Helião - Só para concluir, a gente também curti bastante o RAP nacional. A gente conhece a maioria dos manos, e de repente, você esta no momento de reflexão e coloco um som de mano seu e parece que ele ta ali do seu lado. A gente tem feito varias parada com vario grupos de RAP porque a gente não tem contrariedade de um cara subir no palco e fazer um bagulho melhor do que você. A gente tem sempre aquela competência de chegar e pensar em fazer alguma coisa para o RAP nacional ficar mais a pampa.Qual a ligação de vocês com a religião?Helião - E sou baiano, então eu sou do candomblé, mais eu respeito todas as religiões.Sandrão - A minha crença eu não posso designar em nenhuma religião. Eu respeito às religiões e acredito em Deus. È importante ressaltar, moro mano, que o respeito sempre tem que haver, em qualquer instância em qualquer coisa, em qualquer sentido da vida.As rádios comunitárias continuam sendo uma porta de entrada pra os grupos iniciantes? Sandrão - Eu acho que, de um tempo pra cá, desde que a gente lançou o single do trem, tem ávido um grande boicote contra as rádios, por que as rádios praticamente desapareceram. Antes tinha muitas rádios. Foi o seguinte, eles deram a desculpas de que as ondas das rádios comunitárias interferiam com PXS das policias e dos aviões; foi uma perseguição, não estão aceitando o direito de expressão. Se existe uma democracia, então a opinião dessas pessoas tem que valer.Como o Sabotagem colou na família RZO? Sandrão - O Sabotagem tem o bagulho do RAP que é essencial, né mano, ele é uma mano correria que ta em todas os apontamentos e ta em todos os apuros e não deixa falha, ta ligado. È um mano que corre atrás do objetivo de lançar o bagulho dele, ta ligado. E a força dele é a correria, e é por isso que ele está aqui com nós: ele tem uma música de mil grau: e quando trinca, é o seguinte... Quando sair você vai ver fita.Hélio - Inclusive os Racionais já tinham recomendado, falado que o mano é sangue, era gente da gente. Quais as mensagens das suas letras? Sabotagem - É o seguinte mano tento passar se o crime fosse aquilo que muitos caros pensam, acho que talvez eu tivesse vários manos como o Zé do Badu, o Loquinho, o Buturé, uns manos de elite que optaram pelo crime e que mostraram que o bagulho não trinca. Então eu passo que não precisa ser do crime para ser um cara de respeitado.Em poucas palavras: não precisa ser bicho solto para falar que é mil grau. Como o DBS colou na banca do RZO? DBS - Eu tinha colado antes,com o outro DJ, e por problemas eu me afastei. Depois surgiu o convite através de um som que o RZO tava fazendo junto com o Ponto Negro, que acabou saindo e eu permaneci. Como surgiu o convite para participar com o RZO? Marrom - Comecei há um ano. Eu fazia participação com outro grupo, o Júri Popular, e agente tocou num baile junto com antigo DJ do RZO, o Negro Rico, e, depois do show, o Negro Rico me chamou para participar do RZO. Aí eu colei, comecei a ensaiar, até que foi rolando naturalmente.Como surgiu o convite para ser o DJ do RZO? Cia - Logo que saiu aquele single “Assim que é”, eu já fazia parte de uma rádio comunitária e eu peguei umas amizades com a rapaziada eu já admirava o som do grupo e os caros me consideravam, eu já conhecia o LÚ, e ao passar do tempo o DJ Lú acabou saindo, foi quando eles me deram um toque,ao respeito ao grupo MRN que era o primeiro grupo que comecei eu não aceitei o convide, daí que entrou meu primo Negro Rico ao passar do tempo ele acabou saindo do grupo, como no momento eu estava sem grupo me chamaram novamente para fazer parte da banca. Qual foi seu primeiro contado com a musica, foi o RAP mesmo? Negra Lee - Desde pequena eu canto, né meu. Antes eu participava de outro grupo e há quatro anos que a rapaziada me convidaram para alguns ensaios e acabei ficando até hoje. Como você entrou no entrou no Rzo? Back Panter - Eu conheço os caros há mile anos daí a rappa me chamou pra colar na banca pra fazer um segurança Como surgiu a oportunidade de fazer parte do RZO? Davi do Gueto - Eu estou no grupo há quatro anos, comecei sendo segurança ao passar do tempo chefe da segurança, chefe de produção e hoje sou empresário do grupo. E graças a Deus com a minha capacidade e humildade consegui criar um espaço no RAP sendo Davi do Gueto produções. Fora a minha parada de empresário a minha produtora, está começando a fazer alguns eventos e bases para os outros grupos.
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